quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Plano nacional antidrogas ganha mais de 6 mil leitos - Portal Vermelho

Plano nacional antidrogas ganha mais de 6 mil leitos - Portal Vermelho

Plano nacional antidrogas ganha mais de 6 mil leitos

O governo brasileiro anunciou o lançamento de editais e portarias para a licitação de 6.120 leitos, previstos no Plano de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, uma estratégia interministerial, lançada em maio deste ano sob a coordenação da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas da Presidência da República (Senad).

Além dos leitos, está prevista a ampliação dos serviços de atenção aos usuários de crack e outras drogas e a qualificação de toda a rede integral para assistência aos usuários no país. O investimento total para estruturar e qualificar a rede de atenção está previsto em R$ 140,9 milhões do Ministério da Saúde e da Senad.

Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, as medidas permitem intensificar as ações de prevenção do problema, do tratamento dos dependentes e do combate ao tráfico de drogas.

"É uma mudança de patamar, de integração das instituições, com uma abordagem intersetorial, com muitas inovações. É um momento de elevação do padrão de qualidade do esforço do governo e da sociedade no enfrentamento da questão das drogas no Brasil", disse o ministro.

Dos 6.120 leitos, 3.620 serão destinados à rede pública de atenção à saúde - em hospitais, Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) e em Casas de Acolhimento Transitório.

Os outros 2.500 leitos serão destinados ao acolhimento em Comunidades Terapêuticas, que se encarregam de acolher, em regime de residência, pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de crack e outras drogas, sem comprometimento clínico grave.

Os editais e portarias também prevêem a implementação de 50 CAPS AD III, com funcionamento 24 horas, responsáveis por fazer o acompanhamento clínico, o tratamento ambulatorial e a internação de curta duração de pessoas com transtornos relacionados ao uso de crack e outras drogas.

Os municípios com populações menores de 20.000 habitantes contarão com 225 Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASFs). A rede de atenção integral também será qualificada, por meio de capacitações em prevenção, tratamento e reinserção social de usuários. Para isso, serão criados 30 Centros Regionais de Referência e 50 Programas de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET).

Instituído pelo Decreto 7.179/10, em maio deste ano, o Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas é composto de ações de aplicação imediata e ações estruturantes.

Entre as ações imediatas, destacam-se aquelas voltadas para o enfrentamento ao tráfico de drogas em todo o território nacional, principalmente nos municípios localizados em regiões de fronteira e a realização de uma campanha permanente de mobilização nacional para estimular o engajamento ao plano.

Já as ações estruturantes organizam-se em torno de quatro eixos: integração de ações de prevenção, tratamento e reinserção social; diagnóstico da situação sobre o consumo do crack e suas consequências; campanha permanente de mobilização, informação e orientação; e formação de recursos humanos e desenvolvimento de metodologias. Ao todo, o Governo Federal prevê a destinação de R$ 409 milhões para a execução do plano.

Fonte: UNODC

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Remédios por juros

26/02/2010 14:26:36
Auditoria aponta que governos de SP, DF, MG e RS usaram recursos do SUS para fazer ajuste fiscal
Sem alarde e com um grupo reduzido de técnicos, coube a um pequeno e organizado órgão de terceiro escalão do Ministério da Saúde, o Departamento Nacional de Auditorias do Sistema Único de Saúde (Denasus), descobrir um recorrente crime cometido contra a saúde pública no Brasil. Em três dos mais desenvolvidos e ricos estados do País, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, todos governados pelo PSDB, e no Distrito Federal, durante a gestão do DEM, os recursos do SUS têm sido aplicados, ao longo dos últimos quatro anos, no mercado financeiro.
A manobra serviu aparentemente para incrementar programas estaduais- de choques de gestão, como manda a cartilha liberal, e políticas de déficit zero, em detrimento do atendimento a uma população estimada em 74,8 milhões de habitantes. O Denasus listou ainda uma série de exemplos de desrespeito à Constituição Federal, a normas do Ministério da Saúde e de utilização ilegal de verbas do SUS em outras áreas de governo. Ao todo, o prejuízo gerado aos sistemas de saúde desses estados passa de 6,5 bilhões de reais, sem falar nas consequências para seus usuários, justamente os brasileiros mais pobres.
As auditorias, realizadas nos 26 estados e no DF, foram iniciadas no fim de março de 2009 e entregues ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em 10 de janeiro deste ano. Ao todo, cinco equipes do Denasus percorreram o País para cruzar dados contábeis e fiscais com indicadores de saúde. A intenção era saber quanto cada estado recebeu do SUS e, principalmente, o que fez com os recursos federais. Na maioria das unidades visitadas, foi constatado o não cumprimento da Emenda Constitucional nº 29, de 2000, que obriga a aplicação em saúde de 12% da receita líquida de todos os impostos estaduais. Essa legislação ainda precisa ser regulamentada.
Ao analisar as contas, os técnicos ficaram surpresos com o volume de recursos federais do SUS aplicados no mercado financeiro, de forma cumulativa, ou seja, em longos períodos. Legalmente, o gestor dos recursos é, inclusive, estimulado a fazer esse tipo de aplicação, desde que antes dos prazos de utilização da verba, coisa de, no máximo, 90 dias. Em Alagoas, governado pelo também tucano Teotônio Vilela Filho, o Denasus constatou operações semelhantes, mas sem nenhum prejuízo aos usuários do SUS. Nos casos mais graves, foram detectadas, porém, transferências antigas de recursos manipulados, irregularmente, em contas únicas ligadas a secretarias da Fazenda. Pela legislação em vigor, cada área do SUS deve ter uma conta específica, fiscalizada pelos Conselhos Estaduais de Saúde, sob gestão da Secretaria da Saúde do estado.
O primeiro caso a ser descoberto foi o do Distrito Federal, em março de 2009, graças a uma análise preliminar nas contas do setor de farmácia básica, foco original das auditorias. No DF, havia acúmulo de recursos repassados pelo Ministério da Saúde desde 2006, ainda nas gestões dos governadores Joaquim Roriz, então do PMDB, e Maria de Lourdes Abadia, do PSDB. No governo do DEM, em vez de investir o dinheiro do SUS no sistema de atendimento, o ex-secretário da Saúde local Augusto Carvalho aplicou tudo em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). Em março do ano passado, essa aplicação somava 238,4 milhões de reais. Parte desse dinheiro, segundo investiga o Ministério Público Federal, pode ter sido usada no megaesquema de corrupção que resultou no afastamento e na prisão do governador José Roberto Arruda.
Essa constatação deixou em alerta o Ministério da Saúde. As demais equipes do Denasus, até então orientadas a analisar somente as contas dos anos 2006 e 2007, passaram a vasculhar os repasses federais do SUS feitos até 2009. Nem sempre com sucesso. De acordo com os relatórios, em alguns estados como São Paulo e Minas os dados de aplicação de recursos do SUS entre 2008 e 2009 não foram disponibilizados aos auditores, embora se tenha constatado o uso do expediente nos dois primeiros anos auditados (2006-2007). Na auditoria feita nas contas mineiras, o Denasus detectou, em valores de dezembro de 2007, mais de 130 milhões de reais do SUS em aplicações financeiras.
O Rio Grande do Sul foi o último estado a ser auditado, após um adiamento de dois meses solicitado pelo secretário da Saúde da governadora tucana Yeda Crusius, Osmar Terra, do PMDB, mesmo partido do ministro Temporão. Terra alegou dificuldades para enviar os dados porque o estado enfrentava a epidemia de gripe suína. Em agosto, quando a equipe do Denasus finalmente desembarcou em Porto Alegre, o secretário negou-se, de acordo com os auditores, a fornecer as informações. Não permitiu sequer o protocolo na Secretaria da Saúde do ofício de apresentação da equipe. A direção do órgão precisou recorrer ao Ministério Público Federal para descobrir que o governo estadual havia retido 164,7 milhões de recursos do SUS em aplicações financeiras até junho de 2009.
O dinheiro, represado nas contas do governo estadual, serviu para incrementar o programa de déficit zero da governadora, praticamente único argumento usado por ela para se contrapor à série de escândalos de corrupção que tem enfrentado nos últimos dois anos. No início de fevereiro, o Conselho Estadual de Saúde gaúcho decidiu acionar o Ministério Público Federal, o Tribunal de Contas do Estado e a Assembleia Legislativa para apurar o destino tomado pelo dinheiro do SUS desde 2006.
Ainda segundo o relatório, em 2007 o governo do Rio Grande do Sul, estado afetado atualmente por um surto de dengue, destinou apenas 0,29% dos recursos para a vigilância sanitária. Na outra ponta, incrivelmente, a vigilância epidemiológica recebeu, ao longo do mesmo ano, exatos 400 reais do Tesouro estadual. No caso da assistência farmacêutica, a situação ainda é pior: o setor não recebeu um único centavo entre 2006 e 2007, conforme apuraram os auditores do Denasus.
Com exceção do DF, onde a maioria das aplicações com dinheiro do SUS foi feita com recursos de assistência farmacêutica, a maior parte dos recursos retidos em São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul diz respeito às áreas de vigilância epidemiológica e sanitária, aí incluído o programa de combate à Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Mas também há dinheiro do SUS no mercado financeiro desses três estados que deveria ter sido utilizado em programas de gestão de saúde e capacitação de profissionais do setor.
Informado sobre o teor das auditorias do Denasus, em 15 de fevereiro, o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Batista Júnior, colocou o assunto em pauta, em Brasília, na terça-feira 23. Antes, pediu à Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, à qual o Denasus é subordinado, para repassar o teor das auditorias, em arquivo eletrônico, para todos os 48 conselheiros nacionais. Júnior quer que o Ministério da Saúde puna os gestores que investiram dinheiro do SUS no mercado financeiro de forma irregular. “Tem muita coisa errada mesmo.”
No caso de São Paulo, a descoberta dos auditores desmonta um discurso muito caro ao governador José Serra, virtual candidato do PSDB à Presidência da República, que costuma vender a imagem de ter sido o mais pródigo dos ministros da Saúde do País, cargo ocupa-do por ele entre 1998 e 2000, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo dados da auditoria do Denasus, dos 77,8 milhões de reais do SUS aplicados no mercado financeiro paulista, 39,1 milhões deveriam ter sido destinados a programas de assistência farmacêutica, 12,2 milhões a programas de gestão, 15,7 milhões à vigilância epidemiológica e 7,7 milhões ao combate a DST/Aids, entre outros programas.
Ainda em São Paulo, o Denasus constatou que os recursos federais do SUS, tanto os repassados pelo governo federal como os que tratam da Emenda nº 29, são movimentados na Conta Única do Estado, controlada pela Secretaria da Fazenda. Os valores são transferidos imediatamente para a conta, depois de depositados pelo ministério e pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS), por meio de Transferência Eletrônica de Dados (TED). “O problema da saúde pública (em São Paulo) não é falta de recursos financeiros, e, sim, de bons gerentes”, registraram os auditores.
Pelos cálculos do Ministério da Saúde, o governo paulista deixou de aplicar na saúde, apenas nos dois exercícios analisados, um total de 2,1 bilhões de reais. Destes, 1 bilhão, em 2006, e 1,1 bilhão, em 2007. Apesar de tudo, Alckmin e Serra tiveram as contas aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado. O mesmo fenômeno repetiu-se nas demais unidades onde se constatou o uso de dinheiro do SUS no mercado financeiro. No mesmo período, Minas Gerais deixou de aplicar 2,2 bilhões de reais, segundo o Denasus. No Rio Grande do Sul, o prejuízo foi estimado em 2 bilhões de reais.
CartaCapital solicitou esclarecimentos às secretarias da Saúde do Distrito Federal, de São Paulo, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Em Brasília, em meio a uma epidemia de dengue com mais de 1,5 mil casos confirmados no fim de fevereiro, o secretário da Saúde do DF, Joaquim Carlos Barros Neto, decidiu botar a mão no caixa. Oriundo dos quadros técnicos da secretaria, ele foi indicado em dezembro de 2009, ainda por Arruda, para assumir um cargo que ninguém mais queria na capital federal. Há 15 dias, criou uma comissão técnica para, segundo ele, garantir a destinação correta do dinheiro do SUS para as áreas originalmente definidas. “Vamos gastar esse dinheiro todo e da forma correta”, afirma Barros Neto. “Não sei por que esses recursos foram colocados no mercado financeiro.”
O secretário da Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, afirma jamais ter negado atendimento ou acesso à documentação solicitada pelo Denasus. Segundo Terra, foram os técnicos do Ministério da Saúde que se recusaram a esperar o fim do combate à gripe suí-na no estado e se apressaram na auditoria. Mesmo assim, garante, a equipe de auditores foi recebida na Secretaria Estadual da Saúde. De acordo com ele, o valor aplicado no mercado financeiro encontrado pelos auditores, em 2009, é um “retrato do momento” e nada tem a ver com o fluxo de caixa da secretaria. Terra acusa o diretor do Denasus, Luís Bolzan, de ser militante político do PT e, por isso, usar as auditorias para fazer oposição ao governo. “Neste ano de eleição, vai ser daí para baixo”, avalia.
Em nota enviada à redação, a Secretaria da Saúde de Minas Gerais afirma estar regularmente em dia com os instrumentos de planejamento do SUS. De acordo com o texto, todos os recursos investidos no setor são acompanhados e fiscalizados por controle social. A aplicação de recursos do SUS no mercado financeiro, diz a nota, é um expediente “de ordem legal e do necessário bom gerenciamento do recurso público”. Lembra que os recursos de portarias e convênios federais têm a obrigatoriedade legal da aplicação no mercado financeiro dos recursos momentaneamente disponíveis.
Também por meio de uma nota, a Secretaria da Saúde de São Paulo refuta todas as afirmações constantes do relatório do Denasus. Segundo o texto, ao contrário do que dizem os auditores, o Conselho Estadual da Saúde fiscaliza e acompanha a execução orçamentária e financeira da saúde no estado por meio da Comissão de Orçamento e Finanças. Também afirma ser a secretaria a gestora dos recursos da Saúde. Quanto ao investimento dos recursos financeiros, a secretaria alega cumprir a lei, além das recomendações do Tribunal de Contas do Estado. “As aplicações são referentes a recursos não utilizados de imediato e que ficariam parados em conta corrente bancária.” A secretaria também garante ter dado acesso ao Denasus a todos os documentos disponíveis no momento da auditoria.

Leandro Fortes

Leandro Fortes é jornalista, professor e escritor, autor dos livros Jornalismo Investigativo, Cayman: o dossiê do medo e Fragmentos da Grande Guerra, entre outros. Mantém um blog chamado Brasília eu Vi. http://brasiliaeuvi.wordpress.com

Auditoria comprova sumiço de recursos federais em SP


Governador eleito terá de dar conta de verba assim que assumir o estado
Por Leandro Fortes
Quando assumir, pela terceira vez, o governo do estado de São Paulo em 1º de janeiro de 2011, o tucano Geraldo Alckmin terá que prestar contas de um sumiço milionário de recursos federais do Ministério da Saúde dimensionado, em março passado, pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus). O dinheiro, quase 400 milhões de reais, deveria ter sido usado para garantir remédios de graça para 40 milhões de cidadãos, mas desapareceu na contabilidade dos governos do PSDB nos últimos 10 anos. Por recomendação dos auditores, com base na lei, o governo paulista terá que explicar onde foram parar essas verbas do SUS e, em seguida, ressarcir a União pelo prejuízo.
O relatório do Denasus foi feito a partir de auditorias realizadas em 21 estados. Na contabilidade que vai de janeiro de 1999 e junho de 2009. Por insuficiência de técnicos, restam ainda seis estados a serem auditados. O número de auditores-farmacêuticos do País, os únicos credenciados para esse tipo de fiscalização, não chega a 20. Nesse caso, eles focaram apenas a área de Assistência Farmacêutica Básica, uma das de maior impacto social do SUS. A auditoria foi pedida pelo Departamento de Assistência Farmacêutica (DAF), ligado à Secretaria de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, para verificar denúncias de desvios de repasses de recursos do SUS para compra e distribuição de medicamentos nos sistemas estaduais de saúde.
O caso de São Paulo não tem parâmetro em nenhuma das demais 20 unidades da federação analisadas pelo Denasus até março de 2010, data de fechamento do relatório final. Depois de vasculhar todas as nuances do modelo de gestão de saúde estadual no setor de medicamentos, os analistas demoraram 10 meses para fechar o texto. No fim das contas, os auditores conseguiram construir um retrato bem acabado do modo tucano de gerenciar a saúde pública, inclusive durante o mandato de José Serra, candidato do PSDB à presidência. No todo, o período analisado atinge os governos de Mário Covas (primeiro ano do segundo mandato, até ele falecer, em março de 2001); dois governos de Geraldo Alckmin (de março de 2001 a março de 2006, quando ele renunciou para ser candidato a presidente); o breve período de Cláudio Lembo, do DEM (até janeiro de 2007); e a gestão de Serra, até março de 2010, um mês antes de ele renunciar para disputar a eleição.
Ao se debruçarem sobre as contas da Secretaria Estadual de Saúde, os auditores descobriram um rombo formidável no setor de medicamentos: 350 milhões de reais repassados pelo SUS para o programa de assistência farmacêutica básica no estado simplesmente desapareceram. O dinheiro deveria ter sido usado para garantir aos usuários potenciais do SUS acesso gratuito a remédios, sobretudo os mais caros, destinados a tratamentos de doenças crônicas e terminais. É um buraco e tanto, mas não é o único.
A avaliação dos auditores detectou, ainda, uma malandragem contábil que permitiu ao governo paulista internalizar 44 milhões de reais do SUS nas contas como se fossem recursos estaduais. Ou seja, pegaram dinheiro repassado pelo governo federal para comprar remédios e misturaram com as receitas estaduais numa conta única da Secretaria de Fazenda, de forma ilegal. A Constituição Federal determina que para gerenciar dinheiro do SUS os estados abram uma conta específica, de movimentação transparente e facilmente auditável, de modo a garantir a plena fiscalização do Ministério da Saúde e da sociedade. Em São Paulo essa regra não foi seguida. O Denasus constatou que os recursos federais do SUS continuam movimentados na Conta Única do Estado. Os valores são transferidos imediatamente depois de depositados pelo ministério e pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS), por meio de Transferência Eletrônica de Dados (TED).
Em fevereiro, reportagem de CartaCapital demonstrou que em três dos mais desenvolvidos estados do País, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, todos governados pelo PSDB, e no Distrito Federal, durante a gestão do DEM, os recursos do SUS foram, ao longo dos últimos quatro anos, aplicados no mercado financeiro. O fato foi constatado pelo Denasus após um processo de auditoria em todas as 27 unidades da federação. Trata-se de manobra contábil ilegal para incrementar programas estaduais de choque de gestão, como manda a cartilha liberal seguida pelos tucanos e reforçada, agora, na campanha presidencial. Ao todo, de acordo com os auditores, o prejuízo gerado aos sistemas de saúde desses estados passava, à época, de 6,5 bilhões de reais, dos quais mais de 1 bilhão de reais apenas em São Paulo.
Ao analisar as contas paulistas, o Denasus descobriu que somente entre 2006 e 2009, nos governos de Alckmin e Serra, dos 77,8 milhões de reais do SUS aplicados no mercado financeiro paulista, 39,1 milhões deveriam ter sido destinados para programas de assistência farmacêutica – cerca de 11% do montante apurado, agora, apenas no setor de medicamentos, pelos auditores do Denasus. Além do dinheiro de remédios para pacientes pobres, a primeira auditoria descobriu outros desvios de dinheiro para aplicação no mercado financeiro: 12,2 milhões dos programas de gestão, 15,7 da vigilância epidemiológica, 7,7 milhões do combate a DST/Aids e 4,3 milhões da vigilância epidemiológica.
A análise ano a ano dos auditores demonstra ainda uma prática sistemática de utilização de remédios em desacordo com a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) estabelecida pelo Ministério da Saúde, atualizada anualmente. A lista engloba medicamentos usados nas doenças mais comuns pelos brasileiros, entre os quais antibióticos, antiinflamatórios, antiácidos e remédios para dor de cabeça.  Entre 2006 e 2008, por exemplo, dos 178 medicamentos indicados por um acordo entre a Secretaria de Saúde de São Paulo e o programa de Assistência Farmacêutica Básica do Ministério da Saúde, 37 (20,7%) não atendiam à lista da Rename.
Além disso, o Denasus constatou outra falha. Em 2008, durante o governo Serra, 11,8 milhões do Fundo Nacional de Saúde repassados à Secretaria de Saúde de São Paulo para a compra de remédios foram contabilizados como “contrapartida estadual” no acordo de Assistência Farmacêutica Básica. Ou seja, o governo paulista, depois de jogar o recurso federal na vala comum da Conta Única do Estado, contabilizou o dinheiro como oriundo de receitas estaduais, e não como recurso recebido dos cofres da União.
Apenas em maio, dois meses depois de terminada a auditoria do Denasus, a Secretaria Estadual de Saúde resolveu se manifestar oficialmente sobre os itens detectados pelos auditores. Ao todo, o secretário Luís Roberto Barradas Barata, apontado como responsável direto pelas irregularidades por que era o gestor do sistema, encaminhou 19 justificativas ao Denasus, mas nenhuma delas foi acatada. “Não houve alteração no entendimento inicial da equipe, ficando, portanto, mantidas todas as constatações registradas no relatório final”, escreveram, na conclusão do trabalho, os auditores-farmacêuticos.
Barata faleceu em 17 de julho passado, dois meses depois de o Denasus invalidar as justificativas enviadas por ele. Por essa razão, a discussão entre o Ministério da Saúde e o governo de São Paulo sobre o sumiço dos 400 milhões de reais devidos ao programa de Assistência Farmacêutica Básica vai ser retomada somente no próximo ano, de forma institucional.

Leandro Fortes

Leandro Fortes é jornalista, professor e escritor, autor dos livros Jornalismo Investigativo, Cayman: o dossiê do medo e Fragmentos da Grande Guerra, entre outros. Mantém um blog chamado Brasília eu Vi. http://brasiliaeuvi.wordpress.com

terça-feira, 18 de maio de 2010

Número de mortes por dengue bate recorde em São Paulo

MÁRCIO PINHO

da Reportagem Local


O Estado de São Paulo bateu em 2010 o recorde de mortes por dengue. Foram pelo menos 64 casos desde janeiro, de acordo com levantamento feito pela Folha junto às prefeituras.
O número é o maior desde o início da contagem dos casos de dengue --em 1990-- e representa quase o dobro do recorde anterior: 35 mortes em 2007.
Em 2008, quando a doença perdeu força, a então gestão José Serra (PSDB) deixou de atender 2,2 milhões de pessoas com visitas e trabalhos de controle da proliferação de vetores.
O contingente representa 35% da meta de 6,4 milhões de pessoas, traçada pelo governo estadual para aquele ano, segundo os últimos dados do PPA (Plano Plurianual 2008-2011).
O treinamento de profissionais também ficou aquém da meta. Em vez de 9.000, como previa o PPA, foram treinados pouco mais de 6.000.
A Secretaria da Saúde afirmou que não se pode relacionar as mortes a visitas domiciliares. É preciso, diz, considerar a alta incidência de chuvas neste ano e as altas temperaturas, condições propícias para a proliferação do mosquito, além da assistência prestada por unidades de saúde sob responsabilidade das prefeituras.
Para autoridades sanitárias, o combate ao mosquito Aedes aegypti é a principal forma de combater a dengue. Segundo o Programa Nacional de Controle da Dengue, ele deve ocorrer mesmo em períodos de baixa incidência, como no inverno.
A epidemia no Estado está mais grave no litoral. Apenas em Santos houve 19 mortes, e a prefeitura obteve autorização da Câmara para invadir casas fechadas em busca do mosquito. No Guarujá foram 12 mortes, o que forçou a prefeitura a abrir uma unidade de saúde só para casos de dengue.
Na capital, cerca de mil pessoas contraíram a doença, mas não houve mortes. Já São José do Rio Preto e Ribeirão Preto vivem epidemias e já registraram 9 e 5 mortes, respectivamente. No Vale do Paraíba, Taubaté vive epidemia. Os números podem ser maiores, devido à subnotificação.
Para o infectologista Evaldo Stanislau de Araújo, no litoral há a hipótese de que a dengue tipo 2 que circula na região seja mais agressiva, semelhante à que causou mortes no Rio de Janeiro em 2008.
Já o tipo 1, que voltou a predominar em vários Estados, também contribui. Como ele não aparecia com força desde a década de 90, muitas pessoas ainda não tinham imunidade.
Com o frio, a tendência é a doença arrefecer. O infectologista Evaldo Stanislau de Araújo, da Faculdade de Medicina da USP, diz que é "inaceitável" haver mortes por dengue.
"A mortalidade da dengue é menor que 1%, desde que os pacientes sejam medicados, tratados. Fazer isso é barato. Exige organização e foco. O tratamento da dengue é fundamentalmente hidratação", diz.

Outro lado

A Secretaria da Saúde do Estado afirmou, em nota, que não se pode relacionar as mortes por dengue "a visitas domiciliares e outras atividades ligadas ao trabalho de controle de endemias".
Segundo o órgão, as manifestações clínicas da dengue e a evolução dos pacientes estão relacionadas à circulação dos diferentes tipos de vírus e à assistência prestada nas unidades de saúde --que é de responsabilidade das prefeituras.
Ao governo estadual cabe a capacitação de profissionais de saúde, o monitoramento de índices larvários e o diagnóstico laboratorial de casos suspeitos por meio do Instituto Adolfo Lutz.
De acordo com a secretaria, o plano de visitas domiciliares para 2008 foi elaborado no meio de 2007, ano em que o Estado registrou recorde de infectados --92 mil.
"Como em 2008 o número de casos caiu cerca de 90% em relação ao ano anterior, não houve necessidade de realizar os 6 milhões de atendimentos previstos, uma vez que a baixa transmissão da doença dispensou parte do trabalho de apoio às atividades de nebulização feita pela Sucen [Superintendência de Controle de Endemias]."
A explicação é a mesma em relação ao menor número de profissionais capacitados.
A secretaria diz que as capacitações e atividades de apoio da Sucen são crescentes. Em 2008 foram 6.300 profissionais treinados. Em 2009, 8.100.

Polícia acha pomada com validade vencida em clínica onde duas morreram em SC

JEAN-PHILIP STRUCK

da Agência Folha


A polícia encontrou uma pomada de efeito anestésico com a validade vencida na clínica em que duas pacientes morreram após realizarem uma endoscopia, em Joaçaba (419 km de Florianópolis).
Usada para lubrificar o endoscópio -tubo ótico-, foi encontrada dentro de uma lixeira da sala onde eram feitos os exames. De acordo com a polícia, ela estava vencida desde 9 de março.
Ontem, a Visa (Vigilância Sanitária) de Santa Catarina interditou a clínica, onde também seis mulheres passaram mal após realizarem endoscopia. O local, segundo o órgão, também não tinha alvará de funcionamento e não poderia realizar o exame.
Entre os que passaram mal, uma garota de 15 anos segue internada em um hospital da cidade e outras cinco pessoas foram liberadas.
Segundo a Visa, ainda não é possível determinar a causa da mortes. A polícia suspeita que a pomada vencida, uma dosagem errada ou um erro de manipulação do anestésico podem ter causado as mortes. Falta de equipamentos adequados para lidar com emergências também pode ser outro motivo.
De acordo com a Visa, o médico gastroenterologista responsável pelos exames, Denis Conci Braga, 31, só tinha autorização para ter um consultório médico e não podia oferecer exames de endoscopia.
Segundo a vigilância, no caso de Joaçaba, Braga aplicou doses de diazepan ou midazolan (Dormonid) para anestesiar as pacientes e usou a pomada vencida, que contém lidocaína, para lubrificar o endoscópio.
Braga, que também é proprietário da clínica, foi preso na sexta em flagrante por homicídio culposo (sem intenção de matar). Ele prestou depoimento e foi liberado após pagar fiança de R$ 2.550.
No sábado, foram enterradas Maria Rosa dos Santos, 52, e Santa Sipp, 60. Elas morreram de parada cardiorrespiratória ainda na clínica, logo após o exame de endoscopia digestiva, que investiga doenças do aparelho digestivo com o auxílio de um tubo flexível.
Há cerca de cinco anos, três pessoas morreram e 12 passaram mal em Itagibá (BA) após exame de endoscopia. À época, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) apontou que ocorreu um erro na concentração do princípio ativo da anestesia e interditou a empresa responsável pela fabricação.
A Folha tentou falar com o advogado de Braga, Germano Bess, deixou recado, mas não houve retorno até as 17h30.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Falta de investimento faz dengue proliferar em SP

Falta de investimento faz dengue proliferar em SP
AUGUSTO DE PAIVA/AAN/AE

Jornal da Manhã
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A falta de investimentos da Prefeitura de São Paulo faz dengue proliferar de forma assustadora na cidade. Nos anos 2008 e 2009, foram 538 casos autóctones na capital paulista. Neste ano, em apenas três meses já ocorreram 714 casos, ou 20% a mais do que em dois anos inteiros. Se a comparação se restringir apenas aos meses de março de 2009 e 2010, o crescimento ultrapassa 400%, saltando de 104 para 464 casos.

A tendência é que a situação piore, afinal, o Centro de Controle de Zoonoses foi esquecido pela Prefeitura de São Paulo. Faltam viaturas até para os atendimentos básicos e a checagem de possíveis focos do mosquito da dengue. Os agentes municipais são obrigados a andar a pé e têm o trabalho limitado a um raio de apenas 1km das Supervisões de Vigilância Sanitária. O combate ao mosquito de "casa em casa" parece ser algo do passado.

As visitas em pontos estratégicos de proliferação do aedes aegypti, como cemitérios e borracharias, não acontecem com a frequência necessária. Desde junho de 2009, a Prefeitura não tem viaturas para combater dengue nos 17 mil km de ruas da capital paulista, que tem 17 milhões de habitantes. À época, venceu a licitação das peruas que transportavam os agentes. Na renovação do processo licitatório, houve um embargo e simplesmente não houve uma nova contratação até hoje.

O secretário geral do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais, João Batista Gomes, confirma o caos em que se encontra a divisão da zoonose voltada à dengue. Ele afirma que são inúmeros os absurdos da Prefeitura nesta questão de saúde pública e garante que o setor, principalmente na prevenção à doença, está completamente sucateado.

O Sindicato fala que há mil agentes em operação enquanto a Prefeitura anuncia que tem 2.400 funcionários. A população fica desesperada ao observar dia após dia criadouros do mosquito se formando em pneus abandonados pela cidade. As reclamações ao telefone 156 são frequentes, num processo muito demorado e que não chega a qualquer solução.

O telefone da Jovem Pan Serviços recebe diariamente dezenas de reclamações contra a Prefeitura, que ignora os focos da dengue na capital ou demora até um mês para checar as denúncias. Uma funcionária, que não pode se identificar para não sofrer retaliações, afirma que todos estão com as mãos atadas.

O especialista da Faculdade de Saúde Pública da USP, Pedro Germano, lamenta o sucateamento do Centro de Controle de Zoonoses e condena a política de recursos humanos para o combate à doença. Procurada, a Secretaria Municipal da Saúde apenas enviou uma nota explicando o crescimento de 400% nos casos de dengue de março de 2009 e 2010. Salienta que, neste ano, o volume de chuvas foi substancialmente superior e contribuiu para maior proliferação do aedes aegypti.

O órgão municipal destaca que a incidência de 6,7 casos autóctones por 100 mil habitantes é baixa segundo parâmetros do Ministério da Saúde. O documento garante que o trabalho de vigilância é ininterrupto e segue as linhas traçadas pelo Plano Nacional de Controle da Dengue.

domingo, 18 de abril de 2010

Médicos continuam faltando plantões apesar de novo código de ética

Será que o problema da falta de médicos melhorou, depois da entrada em vigor do novo código de ética?

Promotoria apura desvio na Santa Casa de Itápolis


Ministério Público e polícia suspeitam que hospital foi lesado em R$ 600 mil

São apontados indícios de superfaturamento de cirurgias, apropriação de dinheiro e até desvio de bens da Santa Casa

A Polícia Civil e o Ministério Público suspeitam que ao menos R$ 600 mil podem ter sido desviados da Santa Casa de Itápolis durante a gestão do interventor José Mortati Júnior, entre 22 de dezembro de 2007 e 31 de dezembro de 2008.
Os órgãos dizem que há indícios de que o interventor fez uma gestão fraudulenta à frente da instituição, apropriando-se de bens e dinheiro, desviando material de construção e móveis do hospital para sua chácara, contratando funcionários com vencimentos superfaturados e realizando mutirões de cirurgias desnecessários pagos com valores até 9.000% superiores à tabela do SUS (Sistema Único de Saúde).
Segundo as investigações, a maior parte das irregularidades teria ocorrido durante a reforma de um pavilhão da Santa Casa, que seguia desativado até meados de 2008.
A Folha apurou com médicos de Itápolis que eram conhecidas as notícias de problemas na administração de Mortati Júnior. O problema veio à tona com a posse do atual prefeito, Julio César Nigro Mazzo (PRP), em janeiro de 2009.
Ao mesmo tempo, outro fato curioso chamou a atenção dos promotores Carlos Imaizumi e Luciano Garcia Ribeiro, no final do ano passado.
A ex-mulher de um pedreiro que trabalhou na obra por quatro meses procurou a Promotoria para pedir revisão no valor da pensão que recebia, pois o ex-marido estaria ganhando bem acima do declarado.
O Ministério Público, então, descobriu um recibo de pagamento de R$ 17,9 mil para Osvaldo Aparecido de Morais por serviços prestados ao interventor Mortati.
Na verdade, o recibo, sem qualquer identificação da Santa Casa, era apenas um dos oito que o pedreiro assinou para o interventor, emprestando caráter de legalidade a pagamentos supostamente falsos, no total de R$ 88.890.
Em depoimento à Promotoria e à polícia, o pedreiro disse que nunca viu tanto dinheiro, e que teria sido contratado para ganhar R$ 400 por semana. A Folha o procurou, mas não conseguiu falar com ele.
Outro que assinou recibos e endossou cheques polpudos foi Valter Agnaldo Marques, também pedreiro.
Morador do Jardim Esperança, na periferia de Itápolis, sua assinatura estampa recibos de intervalos semanais que totalizam R$ 85.910, com valores que iam de R$ 16,9 mil a R$17,4 mil.
Agnaldo falou rapidamente com a reportagem na porta de sua casa. Disse que trabalhou três meses na reforma da Santa Casa, por R$ 300 semanais. Sobre os recibos, afirmou que não sabe ler nem escrever.
Morais e Marques eram apenas dois de um grupo de 20 trabalhadores, liderados por oito mestres de obra, número que chamou a atenção dos promotores.
Para a polícia todos afirmaram que foram obrigados a assinar os recibos.

Fonte: FOLHA RIBEIRÃO

sábado, 17 de abril de 2010

MP solicita que Santa Casa ceda hospital ao município

Promotor aponta desvio de finalidade em complexo médico para atendimento particular

O Ministério Público (MP) em Ribeirão Preto quer que a Santa Casa entregue à prefeitura o complexo na rua Pernambuco, nos Campos Elíseos, onde hoje funcionam o Centro Clínico e o Abrigo Anna Diederichsen. Segundo a promotoria, o terreno foi cedido pela família Diederichsen com a condição de que fosse usado para atendimento público. No entanto, o local apenas recebe hoje pacientes conveniados, o que é apontado como desvio de finalidade.
O promotor da Cidadania, Sebastião Sérgio da Silveira, encaminhou nesta sexta-feira um ofício à direção do hospital, que será entregue na próxima semana. O documento estipula prazo de dez dias para que a Santa Casa tome uma posição.
"Queremos que haja um acordo judicial para resolver a questão. Se não houver, entraremos com uma ação civil pública", diz o promotor.
Outro lado
Segundo a responsável pela casa, a irmã Feliciana Maria, apesar de o local ter 24 quartos, apenas oito são usados como leitos. Ela diz que a redução no número de pacientes seria reflexo da política de desospitalização dos pacientes de tuberculose.
A direção da Santa Casa de Ribeirão foi procurada nesta sexta-feira, mas informou que somente o advogado da entidade pode falar sobre o assunto. Ele estaria em viagem e não foi localizado pelo hospital para comentar o assunto.
Fonte+ Jornal A Cidade

domingo, 11 de abril de 2010

Cronologia do Programa de Combate à AIDS


1983. É implantado no Estado de São Paulo o primeiro programa de controle da aids no Brasil.  O seu coordenador era o dermatologista Paulo Roberto Teixeira Leite. Na seqüência, é criado o programa no Estado do Rio de Janeiro. Começa também a organização do embrião do Programa de Aids do Ministério da Saúde.
1984. O Programa de Aids do Ministério da Saúde surge no âmbito da Divisão de Dermatologia Sanitária, que tinha como chefe a dermatologista Maria Leide de Santana. José Sarney era o presidente da República e Carlos Santana, ministro da Saúde. Nessa época, chegam ao programa Lair Guerra de Macedo Rodrigues (bióloga), Pedro Chequer (médico epidemiologista e sanitarista), Euclides Castilho (médico epidemiologista), Luís  Loures (clínico geral, na época), Celso Ferreira Ramos-Filho (infectologista), entre outros grandes nomes.
“A Lair manteve diálogo constante com o Paulo Teixeira”, frisa Euclides Castilho, professor titular do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, que, desde as primeiras reuniões, participou do Programa Nacional de Aids. “A Lair sempre o chamou para essas reuniões.”
1986. O ministro da Saúde, Roberto Santos, cria oficialmente o PN-DST/Aids no governo do presidente José Sarney.  Em 1985, porém, alguns dos seus núcleos já funcionavam.
1991. Começa a distribuição gratuita do AZT (único anti-retroviral disponível) e de alguns medicamentos para infecções oportunistas. Foi Lair Guerra de Macedo que, numa das viagens ao exterior, trouxe escondidas na bagagem as primeiras caixas de AZT que chegaram ao Brasil.
1992. O atendimento é ampliado. O Ministério da Saúde inclui os procedimentos para tratamento da aids na tabela do SUS (Sistema Único de Saúde).  O cardiologista e professor Adib Jatene, considerado um dos maiores cirurgiões cardíacos do país, assume o Ministério da Saúde, colocando Lair na coordenação-geral do PN-DST/Aids. Fernando Collor de Mello era o presidente da República.
“A eficiência com que Lair comandou o setor trouxe as primeiras perspectivas otimistas sobre o controle da doença”, observa Jatene. “Foi sua capacidade de propor, sua coragem de defender e sua eficiência em executar que nos colocaram na direção correta, consolidada por tantos que, com competência e dedicação,mantiveram as ações em crescendo, garantindo, em área tão sensível, o reconhecimento de uma liderança que partiu de Lair.”
Mariângela Simão faz coro: “A doutora Lair foi a pioneira. Foi quem colocou – e com sucesso! — a aids na agenda política do governo”.
Mário Scheffer, presidente do Grupo Pela Vidda de São Paulo, acrescenta: “O professor Jatene também foi fundamental. Se ele não tivesse a visão estratégica de que o Brasil tinha que produzir os próprios anti-retrovirais, não se teria garantido o acesso universal ao tratamento antiaids. Foi dele a decisão política de fabricar no País o AZT e o ddI [didanosina, outro anti-retroviral] ”.

1993. O AZT começa a ser produzido no Brasil.
1995.  Em janeiro, o professor Adib Jatene assume o Ministério da Saúde pela segunda vez. Moderniza o PN-DST/Aids, dando-lhe novo rumo e capacidade econômico-gerencial. Permanece até novembro de 1996. Nesse período, são dados três passos vitais: apoio aos projetos das ONGs ligadas à área de prevenção e tratamento de HIV/aids; as primeiras recomendações para utilização dos “coquetéis” anti-retrovirais; decisão de comprar os inibidores da protease, a nova família de drogas anti-HIV, que começava a ser comercializada.
“Em março de 1995, editamos a portaria ministerial regulamentando a compra e a distribuição de medicamentos para HIV/aids, para garantir acesso gratuito ao tratamento”, relembra Jatene.  “Em 1996, convocamos uma reunião em Brasília com 60 infectologistas para debater qual seria a atitude mais adequada do Ministério da Saúde em relação ao ‘coquetel’. Ele já existia, era capaz de controlar os sintomas e permitir sobrevida longa aos pacientes com aids, permitindo que mantivessem suas atividades profissionais. A recomendação foi de que fornecêssemos os anti-retrovirais a todos os pacientes com aids.”
Pela primeira vez no mundo, essa proposta era apresentada. Sensibilizado com o problema, o senador José Sarney, então presidente do Senado, apresentou e conseguiu aprovar contra a opinião de alguns setores do governo (do presidente Fernando Henrique Cardoso), a Lei 9313 de 1996.
“Com a Lei Sarney, o Ministério da Saúde ficou legalmente autorizado a disponibilizar gratuitamente os anti-retrovirais”, continua Jatene. “O Brasil se tornou o primeiro país a abordar a aids não apenas nos aspectos educativo e preventivo, mas também ao oferecer o tratamento mais eficaz de forma universal e gratuita.”
Mário Scheffer reforça: “Sem a Lei Sarney a distribuição gratuita e universal dos anti-retrovirais não teria se tornado política de Estado, realidade até hoje”.

1998. Em 31 de março, José Serra assume o Ministério da Saúde. O PN-DST/Aids existia, o acesso universal ao tratamento antiaids era real e alguns anti-retrovirais já estavam sendo fabricados no Brasil.
“Realmente, o Serra deu muita força ao programa”, salienta Mariângela Simão. “O Serra enfrentou os laboratórios internacionais, ameaçando com a quebra de patentes para adequar o custo dos medicamentos”, observa a Jatene. “Quando os programas de saúde se instalam e são consistentes, debatidos com a sociedade, as entidades científicas, eles se tornam definitivos, viram políticas de saúde. Aí, são incorporados e aprimorados pelos ministros que se seguem. Foi o que fizeram o Serra, o Humberto Costa e, agora, o Temporão. Essa é a grande força do Ministério da Saúde”.
Em português claro. O PN-DST/Aids é um “filho” bonito, bem-sucedido, famoso e reconhecido internacionalmente. Serra não quis desempenhar apenas o importante papel de tê-lo ajudado ir adiante. Fez e faz de conta que é seu criador.  O que, além de inverídico, é injusto. Os marqueteiros podem até tentar maquiar a história do PN-DST/Aids, mas é impossível alterar o seu “DNA”.  Todos os que, desde o começo da década de 1980, acompanham a luta antiaids no Brasil são testemunhas, inclusive esta repórter.
SERRA AMEAÇOU, LULA QUEBROU
O Programa Nacional de DST e Aids não começou nem terminou na gestão Serra. É mérito de vários governos, a partir de 1985.
Em 2001, Serra ameaçou quebrar as patentes de dois remédios do “coquetel” antiaids: nelfinavir, da Roche, e efavirenz, da Merck, Sharp & Dhome. Argumento: abuso do poder econômico.  Após negociações, chegou-se a um acordo.

Em 2005, a queda de braço foi com a Abbott, e o lopinavir/ritonavir, o alvo. O ministro da Saúde era Humberto Costa. De novo, se negociou e se chegou a um acordo.
Em 2007, o ministro da Saúde já era José Gomes Temporão e, na berlinda, mais uma vez, o efavirenz, o remédio importado mais usado. A maior parte dos pacientes começa com o “coquetel” que associa AZT (zidovudina), 3TC (lamivudina) e efavirenz. É a combinação de primeira linha.
Na época, o Brasil pagava  à Merck US$1,56 por comprimido. O que se pretendia era adquiri-lo pelo mesmo preço vendido à Tailândia — US$ 0,65. O Ministério da Saúde negociou exaustivamente. Apesar do volume — tratamento para 75 mil pacientes! –, a multinacional não cedeu.
Em conseqüência, o ministro Temporão e o presidente Luis Inácio Lula da Silva decretaram o primeiro licenciamento compulsório de um remédio no Brasil. O País começou a comprar efavirenz da Índia (que não reconhece patentes) por US$ 0,46 a unidade. Paralelamente, Farmanguinhos, que faz parte da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Ministério da Saúde, desenvolveu todo o medicamento: da fabricação da matéria-prima ao remédio final, para ser consumido. Em fevereiro de 2009, o primeiro lote foi entregue. Cada comprimido sai a US$ 0,60, devido ao maior custo de produção no Brasil. Só este ano US$ 30 milhões serão economizados.
“A licença compulsória não é para se fazer economia pura e simplesmente. Medidas como essa nos permitem usar melhor o recurso público e introduzir novas drogas”, expõe Mariângela Simão. “A longo prazo, esse salto tecnológico nos possibilitará desenvolver novas moléculas e garantir a sustentabilidade do PN-DST/Aids.”
“PROGRAMA NACIONAL DE AIDS NÃO TEM DONO”

Entre 1981 e 1989, a sobrevida dos adultos após o diagnóstico de aids era, em média, de 5,1 meses. Em 1995/96, 58 meses. Já os diagnosticados em 1998/99, 110 meses. Há pessoas vivendo com aids no Brasil há 10, 15, 18 anos. Aids não tem cura, mas tem controle. Vive-se cada vez mais.
“Por isso, quem acha que eventualmente se expôs a alguma situação de risco no decorrer da vida, deve pensar seriamente em fazer o teste de aids”, incentiva a doutora Mariângela.
“Quanto mais cedo se descobre que se é portador do HIV, maior a possibilidade de qualidade de vida melhor.”
O Ministério da Saúde fornece gratuitamente o “coquetel” a 185 mil pessoas. A cada ano, novas 15 mil a 17 mil passam a utilizá-lo. A “cesta” atual compõe-se de 18 anti-retrovirais**.

Detalhe: como os pacientes tratados por muito tempo, tornam-se resistentes a várias drogas, são necessários novos anti-retrovirais. De 2005 para cá, foram introduzidos três. Em 2008, um da própria Merck, que, em 2007, teve a patente quebrada do efavirenz. E, ao contrário do que alardeavam e até torciam os opositores do governo Lula, a farmacêutica não retaliou. “O Brasil é um dos grandes mercados do mundo”, alfineta Mariângela. “E o governo federal é o único comprador brasileiro.”
Maior programa de aids do mundo? Melhor do mundo?  Exemplo para mundo?

Mariângela tem ojeriza a carimbos triunfalistas, megalomaníacos ou personalistas. Para essas perguntas, tem uma resposta na ponta da língua: “Somos um programa com grandes feitos, mas também com muitas coisas a fazer, já que o Brasil é tremendamente desigual”.
“O programa é resultado de uma construção coletiva e contínua, que fez e faz diferença até hoje: os movimentos sociais, as ONGs de prevenção e tratamento da aids, os conselhos e profissionais de saúde”, orgulha-se a sua diretora. “Na verdade, o Programa Nacional de Aids não tem dono. Foi criado e consolidado por mil e uma mãos.”
* Em 1996, Lair Guerra de Macedo Rodrigues sofreu um acidente de carro em Recife, onde se encontrava para um congresso de aids. Ficou vários dias entre a vida e a morte. Recuperou-se lentamente, mas não pode  reassumir as suas funções devido às sequelas.
** Dos 18 anti-retrovirais, 7 são nacionais: zidovudina (AZT), lamivudina (3TC), indinavir, estavudina, nevirapina, saquinavir e efavirenz. Os 11 importados são: abacavir, atazanavir, darunavir, didanosina, enfuvirtida, fosamprenavir, lopinavir/ritonavir, ritonavir, tenofovir, raltegravir e amprenavir.
Publicado por admin · Canal: Brasil 

Tem municipios ameacando entrar com acao judicial para acesso aos medicamentos anti-HIV

 Reportagem original no link abaixo.

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,sp-raciona-medicamento-contra-aids-lamivudina-por-falha-logistica,536050,0.htm

A falta do Lamivudina, um dos medicamentos do coquetel para tratamento da Aids, levou o programa do Estado de São Paulo contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) a fracionar comprimidos e a remanejar medicamentos para atender os ambulatórios estaduais. O medicamento, usado diariamente por soropositivos, está em falta no Estado. Desde o início de abril, é constatada a falta do produto nas regiões de Campinas, Marília, Sorocaba, Bauru e São José do Rio Preto.

A falta, que ocorre por problemas de logística na entrega dos medicamentos e pela adaptação do almoxarifado à mudanças do código de barras, foi agravada pelo feriadão da Páscoa, informou a diretora de Logística de Medicamentos do programa, Edjane Falcão. Segundo ela, para atender a todos, foram feitos remanejamentos de cargas de uma região para outra e fracionados comprimidos entregues aos ambulatórios.

O programa informou nesta quinta-feira, 8, que a normalização deve ocorrer até o início da semana que vem. "Disseram que nos mandariam o medicamento na segunda; a falta aqui ocorre desde terça-feira", disse a coordenadora de Marília, Helena Shawitz. A previsão do programa estadual é de que a região de Sorocaba também seja abastecida a partir desta sexta-feira ou segunda, quando o município buscará o medicamento no aeroporto de Guarulhos.

Para segunda-feira também está prevista a normalização em Bauru. Já a região de Campinas, que possui a maior massa de soropositivos do Estado teria recebido os medicamentos na quarta-feira. "Aqui, conseguimos uma remessa que veio remanejada depois que ameaçamos entrar com centenas de ações na Justiça", disse Júlio Caetano, do Grupo de Doentes de Aids, de São José do Rio Preto, região onde 1,2 mil soropositivos consomem 16 mil comprimidos por mês.

Orientações para organização e funcionamento de Colegiados de Gestão Regional

Colegiado de Gestão Regional na Região de Saúde intraestadual - Orientações para organização e funcionamento é o Volume 10 da Série Pactos pela Saúde, lançado pelo DAGD/SE/MS em parceria com o Conass e o Conasems. A publicação disponibiliza orientações fundamentadas no Pacto pela Saúde e nas experiências em curso nos estados, como subsídio à constituição, organização e funcionamento dos CGR. Atualmente existem 399 Colegiados constituídos em 22 estados.

Ribeirão vacina mais de 18 mil


Sessenta postos espalhados pela cidade, neste sábado, intensificaram campanha nacional de compate à gripe suína

Dulcelene Jatobá


Ribeirão Preto vacinou 14.796 pessoas entre 20 e 29 anos durante o "Dia Nacional de Vacinação Contra a Gripe Suína", realizado neste sábado em mais de 60 postos espalhados pela cidade. A mobilização ajudou a alavancar o número de pessoas imunizadas para mais de 24 mil. A meta é vacinar pelo menos 80 mil até o dia 23.
Segundo a Vigilância Epidemiológica, os dados divulgados são parciais, já que alguns shoppings ainda vacinariam até as 20h. O balanço completo da vacinação deve ser divulgado nesta segunda-feira.
A Vigilância afirmou ainda que mais de três mil pessoas que estão entre os grupos de risco (gestantes, portadores de doenças crônicas e crianças de seis meses a dois anos) também foram vacinadas neste sábado, contabilizando 18.068 doses aplicadas.
Entre os que tomaram a vacina está a secretária Joyce Eli Ferreira, 23 anos. Ela foi à tarde na UBDS da Vila Virgínia, que registrou fila para a vacinação. "Apesar disso, fui atendida bem rápido", disse.
Quem também tomou a vacina foi Eloísa Ferreira, 19. "Estou no grupo de risco porque tenho bronquite e aproveitei para tomar a vacina."
Essa é a terceira etapa da Campanha de Vacinação, que prossegue até o próximo dia 23 em todas as UBS e UBDS (Unidades Básicas Distritais de Saúde) de Ribeirão Preto.

fonte: Jornal A Cidade - 11/04/2010

sábado, 10 de abril de 2010

Empresa que vai construir a Unidade de Pronto Atendimento de Batatais já recebeu ordem de serviço

Após um longo trabalho, desde a autorização, passando por toda a burocracia que envolve uma licitação pública foi emitida a ordem de serviço para a empresa que vai construir a UPA Unidade de Pronto Atendimento de Batatais. Desta forma a construtora Construelo Projetos e Construções Ltda pode iniciar os trabalhos imediatamente. O valor que será empregado na obra é de R$ 1.500.165,32.

A UPA, como é conhecida, será instalada no Joaquim Marinheiro ao lado do CAPS e do Centro Especializado em Odontologia.

Além da UPA 24 horas, o município também receberá o Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (SAMU). Os dois novos serviços vão beneficiar Batatais e a nossa microrregião. A implantação do SAMU está vinculada à implantação da UPA. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência tem como finalidade prestar o socorro à população em casos de emergência, reduzindo o número de óbitos, o tempo de internação em hospitais e as seqüelas decorrentes da falta de socorro precoce. Com o SAMU, o atendimento de urgência e emergência poderá ser realizado em qualquer lugar, incluindo residências, locais de trabalho e vias públicas, lembrou o Chefe de Gabinete da Prefeitura, José Paulo Fernandes.

O município receberá R$ 2 milhões do Ministério da Saúde para a implantação da UPA, sendo R$ 500 mil destinados a compra de equipamentos.

Saúde realiza "Dia D" para vacinação contra gripe suína

Neste sábado o Ministério da Saúde promove, com apoio dos Estados e municípios, o Dia Nacional de Vacinação contra a Gripe H1N1 --a gripe suína. O objetivo da iniciativa é aumentar a adesão à campanha de imunização. Até as 15h desta sexta-feira (9), apenas 22,1% do público-alvo havia sido vacinado.

Ao todo, 36 mil postos de imunização ficarão abertos no país para aplicar a dose da vacina nos grupos prioritários: gestantes, crianças de seis meses a dois anos, pessoas com doenças crônicas (veja lista) e a população entre 20 e 29 anos.

Grupos prioritários Data da vacinação
Trabalhadores da saúde e indígenas 08/03 a 19/03
Gestantes 22/03 a 23/04
Doentes crônicos 22/03 a 23/04
Crianças de seis meses a menores de dois anos 22/03 a 23/04
População de 20 a 29 anos 05/04 a 23/04
Campanha de vacinação do idoso (gripe comum) 24/04 a 07/05
População de 30 a 39 anos 10/05 a 21/05

Em São Paulo haverá 1.604 postos volantes para intensificar o trabalho que já é feito regularmente por 3.840 postos de vacinação fixos espalhados por todo o Estado. Veja aqui os endereços dos postos de vacinação na região metropolitana.

Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a procura pela vacina aumentou nas últimas semanas. Ele atribui a demora de algumas pessoas a se vacinar ao fato desse tipo de imunização ser uma novidade no país e às festas do último feriado.

O ministro garantiu que a vacina é eficaz, segura e a população não deve ter receio de tomar. "É absolutamente segura. Não tivemos nenhum caso de complicação. Se tiver dúvidas, procure um médico", afirmou Temporão, acrescentando que a vacina pode causar pequeno desconforto, como febre, mas sem grandes problemas à saúde. A vacina não é indicado aos que apresentam reação alérgica ao ovo.

Entre os grupos considerados prioritários Ministério da Saúde, estão também adultos de 30 a 39 anos e idosos. Quem estiver fora dessa lista, pode procurar a vacina em clínicas particulares.

A partir da próxima semana, o laboratório Abbott vai distribuir um tipo de vacina contra a gripe A no setor privado. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, vinculada à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), concedeu o registro de preços ao Abbot para a vacina, capaz de imunizar contra a gripe A e a comum --diferente da aplicada nos postos de saúde, que imuniza somente contra a gripe suína.

O preço autorizado varia de R$ 40,60 a R$ 44,11, mas as clínicas podem cobrar acima desse valor pela aplicação da dose. De acordo com a Anvisa, quatro laboratórios já têm licença para comercializar a vacina no país, mas apenas o Abbott requisitou o registro de preço até o momento.

De janeiro a abril deste ano, 50 pessoas já morreram da gripe A no país --a maioria mulheres. Em 2009, quando não havia vacina no Brasil, foram registrados 2.051 óbitos --75% deles de pessoas com doenças crônicas.

Doenças crônicas para vacinação
Obesidade grau 3 (antiga obesidade mórbida) em crianças, adolescentes e adultos
Doença respiratória crônica desde a infância (ex: fibrose cística, displasia broncopulmonar)
Asma (forma grave)
Doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória (ex: distrofia neuromuscular)
Imunodepresão por uso de medicação ou relacionada às doenças crônicas
Diabetes
Doença pulmonar obstrutiva crônica e outras doenças crônicas com insuficiência respiratória
Doença hepática (ex: atresia biliar, cirrose, hepatite crônica)
Insuficiência renal crônica, principalmente em doentes em diálise
Doença hematológica (ex: hemoglobinopatias)
Menores de 18 anos com terapêutica contínua com salicilatos (ex: doença reumática autoimune, doença de Kawasaki)
Síndrome Clínica de Insuficiência Cardíaca
Cardiopatia estrutural (ex: hipertensão arterial pulmonar e valvulopatia)
Cardiopatia isquêmica ou hipertensiva com disfunção ventricular
Cardiopatias congênitas cianóticas
Cardiopatias congênitas acianóticas (não corrigidas cirurgicamente ou por intervenção)
Miocardiopatia (dilatada, hipertrófica ou restritiva)
Pericardiopatia
Fonte: Ministério da Saúde

Os pacientes devem consultar o médico antes de tomar a vacina para esclarecer dúvidas e receber orientações.

Ações de prevenção à saúde são um direito de todos os cidadãos


Ministério da Saúde

A saúde é um direito de todos os brasileiros, garantido pela Constituição Federal de 1988. Todo cidadão tem acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS), que realiza ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.

Antes, o modelo adotado dividia os brasileiros entre os que podiam pagar por serviços de saúde privados; os que tinham direito à saúde pública pela Previdência Social, ou seja, trabalhadores com carteira assinada; e os que não possuíam nenhum direito.

Qualquer pessoa tem à sua disposição o serviço Disque-Saúde (0800-611997), central de atendimento por telefone que esclarece dúvidas e fornece informações sobre campanhas de saúde e orientações sobre doenças. O Disque-Saúde é nacional e gratuito e funciona das 7h às 19h.

O cidadão também conta com a Ouvidoria Geral do SUS, canal de comunicação que recebe sugestões, elogios, reclamações, denúncias e dúvidas sobre saúde.

O interessado pode entrar em contato com a ouvidoria pelo telefone 0800 6119 97 ou no site do Ministério da Saúde.

Quando o estado falha ou se omite no dever de dar acesso à saúde, o cidadão pode exigir que seu direito seja cumprido.

Pessoas de baixa renda podem recorrer à Defensoria Pública da União (DPU) para tentar obter medicamentos negados pelo estado (sob a alegação de falta de estoque) ou internação e tratamento em hospital público.

No site da Defensoria Pública da União é possível encontrar o endereço da instituição em cada estado brasileiro e no Distrito Federal.

terça-feira, 6 de abril de 2010

PAC 2 - Municípios poderão obter recursos para estruturar a sua rede de atenção

O Governo Federal lançou o PAC 2 - Programa de Aceleração do Crescimento segunda etapa, neste ultimo dia 29/03/2010.

O programa está estruturado para atender projetos de infraestrutura em 6 eixos:
- Cidade Melhor;
- Comunidade Cidadã;
- Minha Casa, Minha Vida;
- Água e Luz para todos;
- Transportes;
- Energia.

A área da saúde está contemplada no eixo Comunidade Cidadã, com a previsão de investimentos para construção de 500 UPA e 8.694 UBS, estando previstos 8,1 bilhões de reais.

Os Gestores Municipais de Saúde interessados em pleitear recursos do PAC 2, deverão providenciar até a data limite de 03/06/2010 o protocolo de seus projetos junto ao Ministério das Cidades.

Para o protocolo são obrigatórios: ofício assinado pelo Prefeito Municipal solicitando recursos para atendimento ao projeto; plano de trabalho, com justificativa, cronograma fisico-financeiro; titularidade das áreas; e ainda, projeto executivo completo da obra a ser financiada.

Os projetos selecionados serão incluídos na LDO 2011 do Governo Federal, com execução prevista para início no ano de 2011.

Maiores informações poderão ser obtidas junto ao Ministério das Cidades: (061) 2108-1414.

Saúde apura reação à vacina em bebê

Médicos afirmam que imunização é segura; hospital Santa Lydia tem três casos de crianças internadas na UTI depois de tomar dose


Hélia Araujo


Dois bebês foram internados neste final de semana na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no Hospital Santa Lydia, com suspeita de reações graves à vacina contra a gripe suína. Duas outras crianças também teriam tido problemas semelhantes na semana passada, das quais uma continua internada na UTI. A Secretaria de Saúde do Estado apura os casos.

Segundo Viviane Renosti Toste, de 29 anos, mãe de Luiz Felipe, de um ano e meio, as vacinas contra a gripe suína e a pneumococo foram aplicadas no menino na última quinta-feira de manhã. Durante a tarde do mesmo dia ele apresentou sintomas de gripe comum. Na manhã de sábado eles foram a um hospital 24 horas e, após passar por atendimento, o bebê foi liberado para voltar para casa.

"O problema é que no início da tarde ele começou a ficar com muita dificuldade para respirar. Voltei ao hospital e, quando chegamos, os médicos disseram que ele estava em choque séptico e o levaram direto para a UTI porque o estado era grave."

Segundo a Saúde do Estado, todos os casos são checados e, se for comprovado que as reações foram causadas pela vacina, a situação será estudada.

Mais casos

Também na manhã de sábado um outro bebê de um ano foi internado na UTI do Santa Lydia. O menino tomou as duas vacinas na quinta-feira e teve piora no quadro dois dias depois. Segundo a enfermeira, o bebê chegou ao hospital prostrado, não reagia aos estímulos, desidratado e com taquicardia.

Um menina de um ano e 10 meses, moradora de Serra Azul, também pode ser vítima de reações graves à vacina contra a gripe suína. Ela está internada há uma semana no Santa Lydia e está com pneumonia. Parentes afirmam que a menina adoeceu logo depois da vacinação.

O financiamento do SUS - Do Valor

Sem dinheiro para a saúde universal

Maria Cristina Fernandes
26/03/2010

O Supremo Tribunal Federal esticou a corda dos serviços que o SUS é obrigado a prestar. Municípios, Estados e União devem fornecer gratuitamente medicamentos de última geração comercializados no exterior que ainda não estejam na lista do SUS, custear próteses e cirurgias e até tratamentos médicos fora do país.
O julgamento, por unanimidade, deu guarita às liminares obtidas por pacientes que têm provocado o bloqueio de recursos públicos pela não prestação desses serviços. Beneficiam tanto pacientes 100% dependentes do SUS quanto aqueles cujos planos de saúde não dão cobertura a seus tratamentos. Apenas em São Paulo tramitam 25 mil ações.
A decisão, quatro dias antes da votação histórica que aprovou a reforma do sistema de saúde americano, expôs o paradoxo em que se encontra a saúde pública brasileira. O país universalizou a saúde pública 22 anos antes dos americanos, mas até hoje não foi capaz de equacionar seu financiamento.
Foi uma decisão igualmente histórica a da Constituinte de estender o direito à saúde pública, antes restrito apenas àqueles filiados à Previdência Social, a todos os brasileiros. Mas com a desvinculação, o sistema, na sua origem, já se viu privado de sua base de financiamento.
Egresso da geração de sanitaristas que pôs o SUS em pé, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, viu a votação do Congresso americano como uma vitória do debate sobre a presença do Estado como garantidor e regulador do direito à saúde.
No Brasil o acesso universal não está mais em questão. O SUS, diz, transformou-se uma questão de Estado. Não há divergências entre tucanos e petistas sobre seus pressupostos, mas ninguém se põe de acordo sobre seu custeio e gestão.
Esse impasse foi traduzido pela derrota da CPMF e pela tramitação devagar quase parando do projeto que cria as fundações estatais de saúde. Esse projeto que estabelece contratos de gestão como aquele que administra o hospital Sarah Kubitschek, modelo que inspira Temporão.
Nos votos que derrubaram a CPMF no Senado há tanto apoiadores de José Serra quanto de Dilma Rousseff, ainda que ambos tenham se declarado, velada ou abertamente, a favor de sua manutenção. Entre os motivos que emperram a tramitação do projeto das fundações está a resistência do Conselho Nacional de Saúde, que abriga poderosos interesses corporativos.
Serra e Dilma têm menos paciência com corporações que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas nada indica que venham a ter mais habilidade que o atual presidente para reverter o placar que derrotou a CPMF, uma das maiores derrotas do governo no Congresso.
Temporão explica por que o avanço na saúde básica acelerou o ingresso do país nas doenças da modernidade, as que mais pressionam os custos do sistema. Quando o Brasil não tinha programas de saúde da família, campanhas de vacinação ou distribuição de antibióticos morria-se de doenças infecciosas.
O Brasil continua entre os campeões de mortalidade infantil e materna na América Latina, mas hoje vive-se mais e morre-se de doenças cardiovasculares e câncer, que requerem medicamentos de última geração, internações em UTI, transplantes e próteses.
São tratamentos tão custosos que os planos de saúde caem fora. Apenas um em cada cinco brasileiros pode custeá-lo. Ao fazê-lo, a classe média acredita que escapou da vala comum, mas, como demonstram os milhares de pacientes de planos de saúde que acionaram e venceram o Estado no Supremo, é no SUS que vai parar a conta.
Nos Estados Unidos, onde 15% do PIB são consumidos com saúde, os subsídios aos planos privados aprovados pela reforma de Barack Obama serão custeados, em parte, pela revisão dos gastos do Medicare, o sistema que já assiste os muito velhos ou muito pobres.
Na Europa, onde os sistemas assemelham-se mais ao SUS, o Estado custeia em média 80% do gasto com saúde. No Brasil, o gasto com saúde é metade do americano em proporção do PIB. E a maior parte desse custo (60%) é arcada pelas famílias. Não há, portanto, como onerá-las ainda mais com o custeio do sistema, mas a saída passa pelo encurtamento do fosso que separa esses dois mundos.
Em parte, essa aproximação já começou a ser feita pela exigência de que os hospitais – entidades filantrópicas por lei – devolvam em prestação de serviços a pacientes do SUS as deduções fiscais a que têm direito.
Outra medida, que avançou muito menos, é a exigência de que os planos ressarçam o Estado pelo uso que seus segurados fazem dos hospitais públicos.
Uma terceira medida é o envolvimento de setores industriais que causam dano à saúde no financiamento do sistema público. O ministro Temporão cita nominalmente a indústria de agrotóxicos, cigarros, bebidas e automobilística. Diz que o clima depois da derrota da CPMF não permitiu que uma discussão sobre as alternativas de financiamento prosperasse. E espera que num próximo governo, quando já deve ter voltado para a Fiocruz, o debate seja retomado.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras
E-mail: mcristina.fernandes@valor.com.br

domingo, 4 de abril de 2010

Judicialização da saúde

Fonte: STJ - Superior Tribunal de Justiça

Não é de hoje que a Justiça se tornou refúgio dos que necessitam de medicamentos ou de algum procedimento não oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A premissa inaugurada na Constituição de 1988 de que a saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado arrombou as portas dos tribunais para a chamada judicialização da saúde.

No Superior Tribunal de Justiça (STJ), a discussão sobre o tema reflete a dicotomia que cerca a questão: privilegiar o individual ou o coletivo? De um lado, a participação do Judiciário significa a fiscalização de eventuais violações por parte do Estado na atenção à saúde. Mas, de outro, o excesso de ordens judiciais pode inviabilizar a universalidade da saúde, um dos fundamentos do SUS.

Os órgãos da Seção de Direito Público (Primeira Seção – Primeira e Segunda Turmas) são encarregados de analisar as ações e os recursos que chegam ao Tribunal a respeito do tema. Para o presidente da Primeira Seção, ministro Teori Albino Zavascki, não existe um direito subjetivo constitucional de acesso universal, gratuito, incondicional e a qualquer custo a todo e qualquer meio de proteção à saúde.

O ministro Teori Zavascki esclarece que o direito à saúde não deve ser entendido “como direito a estar sempre saudável”, mas, sim, como o direito “a um sistema de proteção à saúde que dá oportunidades iguais para as pessoas alcançarem os mais altos níveis de saúde possíveis”.

No entanto, o ministro pondera que isso não significa que a garantia constitucional não tenha eficácia. “Há certos deveres estatais básicos que devem ser cumpridos”, explica. “Assim, a atuação judicial ganha espaço quando inexistem políticas públicas ou quando elas são insuficientes para atender minimamente”, conclui o ministro.

O senador Tião Viana (PT/AC) milita contra a judicialização da saúde. Segundo dados divulgados pelo senador, haveria no Brasil um movimento financeiro da ordem de R$ 680 milhões em compras de medicamentos decididas por ordens judiciais. Ele chama de “temerosa” a tendência de se substituir um pensamento técnico e político de gestão da saúde pela decisão de um juiz.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Impressão final

No princípio não me parecia que seria tão trabalhoso. Os dias foram se passando, e o que parecia distante mais perto foi chegando.
Quando menos esperávamos a data marcada chegou, e para nosso alívio, de muitos para ser exato, foi adiada a entrega dos TCC.
Parece até que todos esperávamos por este adiamento. Mas, a partir de então, a coisa começou a ser séria.
Todos os dias passavam a ser decisivos. E a releitura de textos, pesquisa de dados, troca de idéias com amigos e orientadores foram a dinâmica de todos.
Mas enfim, chega o grande dia da entrega.
Orientadores, somente eles poderiam nos autorizar a finalizar os nossos trabalhos de conclusão de curso.
E cada um tem a sua história pessoal para contar. Quanta ansiedade, nervoso, e dedicação nestes ultimos dias.
Escrever, revisar, formatar nos moldes da ABNT, referências bibliográficas, resumir e traduzir para o inglês, todos passamos por estas fases nos nossos TCCs.
E ainda, impressão e encadernamento para entrega à banca que irá avaliar e julgar nossos trabalhos.
Parece não ter fim, mas afinal todos chegamos juntos, da mesma forma quando iniciamos lá em São Paulo nossos primeiros contatos com o assunto.
Esta foi a nossa turma de Gestores de Saúde Pública, formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em parceria com a FUNDAP, e a Universidade de São Paulo - USP.
Em alguns dias teremos nossos trabalhos avaliados, e pontuados, pelos nossos queridos mestres que nos acompanharam neste 1 ano e meio de muitos encontros.
Em breve, todos receberemos nossos certificados de especialistas em saúde pública, e não são poucas as expectativas para este dia.
Uma grande festa é esperado por todos os amigos superativos do SUS.
Ocasião em que poderemos mais uma vez trocarmos idéias, experiências, brincadeiras, e reafirmarmos a amizade que nos uniu e nos orientou a superar dificuldades e encontrar soluções no decorrer deste curso.
Parabéns a todos nós pela dedicação e amor pelo trabalho.

Enquanto isso na Grande Batatais.....

- Bi...Alô, Bi...

- Oi Lu... fala meu benzinho...Estou um pouquinho ocupado obturando um dente de uma cliente...(ziiiiiiimmmmmmmmmm).

- Bi, estou ficando maluca com esta turma de especialistas em gestão pública em saúde que eu contratei.

- Ai, doutor, tá doendo!

- Calma minha senhora, já estou terminando. (zzziiiiiiiiiiimmmmmmm)

- Calma nada Bi... estou ficando louca...

- Não estou falando com você meu bem... é com a paciente. (zzziiiiiiiimmmmmmm).

- Para tudo Bi e me ouve...senão quando você chegar em casa já viu, heim?!

- Tá bom, querida... pode falar.

- Aquele pessoal que eu contratei... estão me enloquecendo: o Kiko, fica implicando com nossa referência por causa da contra-referência. O Valdomiro quer montar um sistema de informática ultra hiper super extra big plus avançado. A Pilar implantou um atendimento humanizado humanizante humanístico para as gestantes e estão aparecendo grávidas de tudo quanto é lado. O Davi e o Evandro só ficam paquerando na internet. O Fred (Gordinho) vive em São Paulo nas reuniões do COSEMS e vem com umas idéias absurdas... não há dinheiro que chegue. A Sandra e a Lucinéia só defendem a DRS. O Wagner (Galinho) abandona o serviço e vai vender secos & molhados no seu mercadinho. A Tânia e a Juliana Rodrigues estão muito básicas na Atenção Básica. O Lucas e a Sandra não se entendem: ela quer mais funcionários no combate à dengue e ele quer cortar gastos e dispensar todo mundo. A Janine, a Juliana Sareta e a Tati Pink (as enfermeirinhas bonitinhas) só querem fazer cursos e mais cursos. Ai meu Deus, eu mereço.

- Vai falando benzinho, que eu estou ouvindo. (zzzzzziiiiiiimmmmmmmmm)

- Presta atenção Bi. O Adileu (Jeitosão) diz que vai ser candidato a vereador e só quer fazer política. A Raquel se uniu com a Giovana e querem montar um parquinho infantil no PSF para o Murilo e seus pimpolhos. A Bartira e a Izabela também não se entendem: uma quer fazer educação continuada e a outra educação permanente. A Teka vive cochilando na cadeira de dentista. O Sergio quer fazer exame de sangue até nos postes. A Elizabeth está distribuindo remédio de alto custo pro povão. Até a Vanessa está orientando os pacientes a entrarem na justiça com uma ação atrás da outra contra o município: é medicamento, é bariátrica, é internação, já acabou o dinheiro da saúde faz três meses. Ainda bem que eu tenho o Hórtis para me ajudar... ele é o Cara! Tá escutando, Bi?

- Tô, querida, mas não se estresse porquê é perigoso... afinal você está um pouquinho acima do peso.

- Óóóóóóóóóó´... veja como fala que eu te sento o porrete...

- Desculpa, amor... pode falar que eu estou te escutando... (zzzzziiiiiiiiimmmmmmm)

- Ai doutor, está doendo.

- Paciência minha senhora, se eu não ouvir minha mulher quem vai ficar dolorido sou eu.

- Bi, liguei para a Janise e para a Tati Lemos, mas elas não querem nem ouvir falar desta turma. Até a Su Nanni sumiu de vez... acho que aquele boato de que ela era um programa virtual inventado pelo Tejo era verdade mesmo. Afinal, nunca ninguém a viu!

- Fica calma, meu bem...

- Calma é o K... vou mandar todo mundo embora e contratar o pessoal da USP-RP, estes sim é que entendem de gestão do SUS.

- Porque você não faz uma reunião com sua equipe e pede para cada um expor o seu ponto de vista?... Alô, alô, Luciana...alô...

- Pi...pi...pi...pi...

- Ih! Acho que ela infartou...



(Hórtiz A. de Souza)