A tendência é que a situação piore, afinal, o Centro de Controle de Zoonoses foi esquecido pela Prefeitura de São Paulo. Faltam viaturas até para os atendimentos básicos e a checagem de possíveis focos do mosquito da dengue. Os agentes municipais são obrigados a andar a pé e têm o trabalho limitado a um raio de apenas 1km das Supervisões de Vigilância Sanitária. O combate ao mosquito de "casa em casa" parece ser algo do passado.
As visitas em pontos estratégicos de proliferação do aedes aegypti, como cemitérios e borracharias, não acontecem com a frequência necessária. Desde junho de 2009, a Prefeitura não tem viaturas para combater dengue nos 17 mil km de ruas da capital paulista, que tem 17 milhões de habitantes. À época, venceu a licitação das peruas que transportavam os agentes. Na renovação do processo licitatório, houve um embargo e simplesmente não houve uma nova contratação até hoje.
O secretário geral do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais, João Batista Gomes, confirma o caos em que se encontra a divisão da zoonose voltada à dengue. Ele afirma que são inúmeros os absurdos da Prefeitura nesta questão de saúde pública e garante que o setor, principalmente na prevenção à doença, está completamente sucateado.
O Sindicato fala que há mil agentes em operação enquanto a Prefeitura anuncia que tem 2.400 funcionários. A população fica desesperada ao observar dia após dia criadouros do mosquito se formando em pneus abandonados pela cidade. As reclamações ao telefone 156 são frequentes, num processo muito demorado e que não chega a qualquer solução.
O telefone da Jovem Pan Serviços recebe diariamente dezenas de reclamações contra a Prefeitura, que ignora os focos da dengue na capital ou demora até um mês para checar as denúncias. Uma funcionária, que não pode se identificar para não sofrer retaliações, afirma que todos estão com as mãos atadas.
O especialista da Faculdade de Saúde Pública da USP, Pedro Germano, lamenta o sucateamento do Centro de Controle de Zoonoses e condena a política de recursos humanos para o combate à doença. Procurada, a Secretaria Municipal da Saúde apenas enviou uma nota explicando o crescimento de 400% nos casos de dengue de março de 2009 e 2010. Salienta que, neste ano, o volume de chuvas foi substancialmente superior e contribuiu para maior proliferação do aedes aegypti.
O órgão municipal destaca que a incidência de 6,7 casos autóctones por 100 mil habitantes é baixa segundo parâmetros do Ministério da Saúde. O documento garante que o trabalho de vigilância é ininterrupto e segue as linhas traçadas pelo Plano Nacional de Controle da Dengue.