Ministério Público e polícia suspeitam que hospital foi lesado em R$ 600 mil
São apontados indícios de superfaturamento de cirurgias, apropriação de dinheiro e até desvio de bens da Santa Casa
A Polícia Civil e o Ministério Público suspeitam que ao menos R$ 600 mil podem ter sido desviados da Santa Casa de Itápolis durante a gestão do interventor José Mortati Júnior, entre 22 de dezembro de 2007 e 31 de dezembro de 2008.
Os órgãos dizem que há indícios de que o interventor fez uma gestão fraudulenta à frente da instituição, apropriando-se de bens e dinheiro, desviando material de construção e móveis do hospital para sua chácara, contratando funcionários com vencimentos superfaturados e realizando mutirões de cirurgias desnecessários pagos com valores até 9.000% superiores à tabela do SUS (Sistema Único de Saúde).
Segundo as investigações, a maior parte das irregularidades teria ocorrido durante a reforma de um pavilhão da Santa Casa, que seguia desativado até meados de 2008.
A Folha apurou com médicos de Itápolis que eram conhecidas as notícias de problemas na administração de Mortati Júnior. O problema veio à tona com a posse do atual prefeito, Julio César Nigro Mazzo (PRP), em janeiro de 2009.
Ao mesmo tempo, outro fato curioso chamou a atenção dos promotores Carlos Imaizumi e Luciano Garcia Ribeiro, no final do ano passado.
A ex-mulher de um pedreiro que trabalhou na obra por quatro meses procurou a Promotoria para pedir revisão no valor da pensão que recebia, pois o ex-marido estaria ganhando bem acima do declarado.
O Ministério Público, então, descobriu um recibo de pagamento de R$ 17,9 mil para Osvaldo Aparecido de Morais por serviços prestados ao interventor Mortati.
Na verdade, o recibo, sem qualquer identificação da Santa Casa, era apenas um dos oito que o pedreiro assinou para o interventor, emprestando caráter de legalidade a pagamentos supostamente falsos, no total de R$ 88.890.
Em depoimento à Promotoria e à polícia, o pedreiro disse que nunca viu tanto dinheiro, e que teria sido contratado para ganhar R$ 400 por semana. A Folha o procurou, mas não conseguiu falar com ele.
Outro que assinou recibos e endossou cheques polpudos foi Valter Agnaldo Marques, também pedreiro.
Morador do Jardim Esperança, na periferia de Itápolis, sua assinatura estampa recibos de intervalos semanais que totalizam R$ 85.910, com valores que iam de R$ 16,9 mil a R$17,4 mil.
Agnaldo falou rapidamente com a reportagem na porta de sua casa. Disse que trabalhou três meses na reforma da Santa Casa, por R$ 300 semanais. Sobre os recibos, afirmou que não sabe ler nem escrever.
Morais e Marques eram apenas dois de um grupo de 20 trabalhadores, liderados por oito mestres de obra, número que chamou a atenção dos promotores.
Para a polícia todos afirmaram que foram obrigados a assinar os recibos.
São apontados indícios de superfaturamento de cirurgias, apropriação de dinheiro e até desvio de bens da Santa Casa
A Polícia Civil e o Ministério Público suspeitam que ao menos R$ 600 mil podem ter sido desviados da Santa Casa de Itápolis durante a gestão do interventor José Mortati Júnior, entre 22 de dezembro de 2007 e 31 de dezembro de 2008.
Os órgãos dizem que há indícios de que o interventor fez uma gestão fraudulenta à frente da instituição, apropriando-se de bens e dinheiro, desviando material de construção e móveis do hospital para sua chácara, contratando funcionários com vencimentos superfaturados e realizando mutirões de cirurgias desnecessários pagos com valores até 9.000% superiores à tabela do SUS (Sistema Único de Saúde).
Segundo as investigações, a maior parte das irregularidades teria ocorrido durante a reforma de um pavilhão da Santa Casa, que seguia desativado até meados de 2008.
A Folha apurou com médicos de Itápolis que eram conhecidas as notícias de problemas na administração de Mortati Júnior. O problema veio à tona com a posse do atual prefeito, Julio César Nigro Mazzo (PRP), em janeiro de 2009.
Ao mesmo tempo, outro fato curioso chamou a atenção dos promotores Carlos Imaizumi e Luciano Garcia Ribeiro, no final do ano passado.
A ex-mulher de um pedreiro que trabalhou na obra por quatro meses procurou a Promotoria para pedir revisão no valor da pensão que recebia, pois o ex-marido estaria ganhando bem acima do declarado.
O Ministério Público, então, descobriu um recibo de pagamento de R$ 17,9 mil para Osvaldo Aparecido de Morais por serviços prestados ao interventor Mortati.
Na verdade, o recibo, sem qualquer identificação da Santa Casa, era apenas um dos oito que o pedreiro assinou para o interventor, emprestando caráter de legalidade a pagamentos supostamente falsos, no total de R$ 88.890.
Em depoimento à Promotoria e à polícia, o pedreiro disse que nunca viu tanto dinheiro, e que teria sido contratado para ganhar R$ 400 por semana. A Folha o procurou, mas não conseguiu falar com ele.
Outro que assinou recibos e endossou cheques polpudos foi Valter Agnaldo Marques, também pedreiro.
Morador do Jardim Esperança, na periferia de Itápolis, sua assinatura estampa recibos de intervalos semanais que totalizam R$ 85.910, com valores que iam de R$ 16,9 mil a R$17,4 mil.
Agnaldo falou rapidamente com a reportagem na porta de sua casa. Disse que trabalhou três meses na reforma da Santa Casa, por R$ 300 semanais. Sobre os recibos, afirmou que não sabe ler nem escrever.
Morais e Marques eram apenas dois de um grupo de 20 trabalhadores, liderados por oito mestres de obra, número que chamou a atenção dos promotores.
Para a polícia todos afirmaram que foram obrigados a assinar os recibos.
Fonte: FOLHA RIBEIRÃO
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